Contaminação da água em Portugal

Em Portugal, muitos rios já estão completamente poluídos. No estuário do Tejo são lançados diariamente quase 150 toneladas de detritos domésticos, além de muitas toneladas de efluentes tóxicos das fábricas. Estas matérias poluentes, sem adequado tratamento, vêm provocando desequilíbrios ecológicos notáveis na fauna e flora e ameaçam a reserva Natural do Estuário do Tejo.

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Poluição no Tejo

Portugal tem um dos mais baixos índices de saneamento básico da União Europeia. Dois em cada dez portugueses ainda não têm água canalizada nas suas casas, menos de 20% não usufruem de tratamentos dos esgotos urbanos. Acresce-se a este panorama, os esgotos, a poluição dos rios e das águas subterrâneas e a pressão sobre o litoral.

Os diversos relatórios da Direcção Geral do Ambiente têm mostrado ano após ano, que cerca de metade dos concelhos portugueses apresentam contaminações bacteriológicas (indicadoras de poluição por esgotos domésticos) em mais de 10% das análises, isto claro quando são realizadas, pois existe ainda um enorme défice no controlo.

A estratégica seguida pela quase totalidade dos municípios, como soluções para estes problemas, foi de dar prioridade exclusiva à colecta dos esgotos, ou seja fornecer água potável, por um lado, e tirar a água contaminada pelo outro. Para tal os municípios do nosso país, principalmente das regiões do Porto, Lisboa e Algarve possuem despesas muito altas como protecção das águas.

Consumo de água em Portugal

A procura de água em Portugal, ou seja, a água utilizada, está actualmente estimada em cerca de 7 500 000 000 metros cúbicos/ano no conjunto dos sectores Agrícola, Industrial e Urbano.

O gráfico seguinte mostram a procura nacional de água por sector em volume.

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Nem toda a procura de água pelos sectores é realmente aproveitada, na medida em que há uma parcela importante associada a ineficiência de uso e perdas relativamente à água que é efectivamente captada.

 O gráfico seguinte mostra a responsabilidade que cada sector tem em relação ao volume total de água desperdiçado.
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Soluções para a minimização da contaminação da água

A preservação dos recursos hídricos passa obrigatoriamente pela consciencialização dos consumidores a respeito da necessidade de economizar água. Assim, aqui se apresentam algumas medidas a implementar para minimizar a contaminação da água:

  • Reaproveitamento de águas residuais tratadas;
  • Reduzir o consumo de água na indústria: as indústrias devem modificar os seus processos tendo em atenção a redução do consumo de água;
  • Ordenação adequada da localização das instalações que produzem e armazenam substâncias nocivas;
  • Selecção correcta de locais de implantação de aterros;
  • Aplicação cuidada de fertilizantes e pesticidas nas actividades agrícolas;
  • Uma gestão racional dos recursos hídricos, baseada no melhor conhecimento possível das circunstâncias e condições e suportada em leis e regulamentos eficazes.
  • Educação ambiental de todos os cidadãos, que permita uma conduta correcta e uma vigilância responsável e permanente, quer da Natureza, quer das actividades produtivas susceptíveis de contaminarem o meio ambiente.

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Tratamento das água residuais (ETAR)

No sentido de melhorar a preservação do meio ambiente e de elevar níveis de qualidade de vida das populações, é fundamental proceder ao tratamento das águas residuais (provenientes da utilização humana). O tratamento destas águas é feito nas estações de tratamento de águas residuais (ETAR). O tratamento das águas residuais ocorre em quatro fases:

  • Tratamento preliminar: consiste numa série de processos físicos (crivagem, tamisagem, desarenação) com vista à remoção dos sólidos com maiores dimensões presentes na água que entra na estação. Deste processo resulta água com uma componente significativa de gorduras e de sólidos em suspensão;
  • Tratamento primário: a água é conduzida para decantadores, onde são eliminados cerca de 50% a 60% dos materiais em suspensão do efluente e são decantados sob a forma de lamas (lamas primárias). Pode-se recorrer também a um processo químico de coagulação. Deste processo resulta água contendo partículas coloidais ou suspensas de reduzidas dimensões e muita matéria orgânica dissolvida;
  • Tratamento secundário: principal fase do processo de tratamento de um efluente urbano. Consiste na utilização de um reactor biológico e posterior decantação. Nesta fase, as substâncias orgânicas, coloidais e dissolvidas são oxidadas pela acção dos microrganismos presentes no reactor biológico. Após a actuação do biorreactor, o efluente experimenta uma nova decantação, de onde resultam as lamas secundárias;
  • Tratamento terciário ou avançado: consiste num conjunto de processos complexos que visa a remoção de nutriente, poluentes específicos, bactérias, etc., de modo que as características finais do efluente tratado estejam de acordo com os parâmetros pretendidos antes de este ser lançado no meio ambiente.

As lamas resultantes do processo de tratamento primário e secundário experimentam um processamento em digestores anaeróbios como forma de reduzir o volume dos sólidos residuais e de os estailizar (biometanização). Os produtos finais resultantes do metabolismo anaeróbio das lamas são o dióxido de carbono e o metano (principais constituintes do biogás). Assim estes gases são aproveitados para a produção de energia.

Os materiais sólidos estabilizados através da biometanização são designados biossólidos ou lamas tratadas e podem ser utilizados como fertilizantes e condicionadores dos solos desde que cumpram determinados parâmetros de forma a não representarem um risco elevado de contaminação.

Consequências da decomposição da matéria orgânica

Os microorganismos decompositores aeróbios consomem o oxigénio dissolvido na água, passando a competir por esse gás com os organismos existentes nesse meio. Como estes microrganismos possuem nutrientes em abundância, proliferam mais rapidamente. Assim os peixes e outros seres vivos que requerem águas bem oxigenadas morrem, aumentando cada vez mais no meio a comunidade saprófita, o que provoca a degradação dos recursos hídricos.

Quando a quantidade de oxigénio presente é quase inexistente, os decompositores anaeróbios continuam a degradação da matéria orgânica, libertando odores e conferindo aspectos indesejáveis à massa de água.

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Variação da CBO e do oxigénio dissolvido após a descarga de um efluente num curso de água

Carência bioquímica de oxigénio (CBO)

A poluição da água pode também ser avaliada pela quantidade de matéria biodegradável, ou seja, resíduos que são passíveis de serem decompostos pela actividade de certos seres vivos.

A matéria orgânica presente na água é geralmente consumida pelos organismos decompositores aeróbios. Durante o processo de decomposição, a quantidade de oxigénio dissolvido na água diminui devido ao metabolismo dos organismos decompositores.

A quantidade de oxigénio dissolvido consumida durante a decomposição aeróbia das substâncias presentes numa amostra de água chama-se carência bioquímica de oxigénio (CBO).

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Qualidade da água segundo a CBO

Parâmetros de qualidade da água

A água no estado puro é muito difícil de ser encontrada na Natureza. Logo que ocorre a condensação, começam a ser dissolvidos na água, por exemplo, os gases atmosféricos. Assim, torna-se necessária a existência de parâmetros para caracterizar a qualidade da água. Os parâmetros podem ser:

  • Físicos: cor, turvação, temperatura, sólidos, sabor e odor. São avaliados em escalas próprias;
  • Químicos: salinidade, dureza, alcalinidade, teor em ferro, teor em matéria orgânica, teor em nitratos, etc. São normalmente medidos em termos de concentração (mg/L);
  • Biológicos: densidade populacional de determinados organismos.

No que respeita à presença de microrganismos patogénicos na água, dada a sua grande diversidade, a detecção individualizada torna-se uma tarefa complexa. Assim, é mais fácil inferir da sua existência a partir da presença de matéria fecal na água. As bactérias que são utilizadas como indicadores da presença de matéria fecal são os coliformes fecais, microrganismos que vivem no intestino humano e de outros mamíferos. A identificação destas bactérias é um indicador de que o meio hídrico foi contaminado por matéria fecal e pode conter outros organismos patogénicos. A OMS recomenda que na água destinada ao consumo humano o parâmetro referente à presença de coliformes fecais seja zero.

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Eutrofização em Portugal

Lagoa das Sete Cidades – Açores 

A Lagoa das Sete Cidades localiza-se na ilha de S. Miguel, nos Açores e é constituída pela Lagoa Azul e pela Lagoa Verde. A sua bacia hidrográfica está ocupada por pastagens permanentes, florestas, zonas agrícolas e áreas sociais. Um dos problemas que mais a marca é a eutrofização. A qualidade da água da Lagoa das Sete Cidades tem vindo a degradar-se bastante devido, também, à desfloração dos solos para explorações agro-pecuárias intensivas que ocorrem dentro das suas bacias hidrográficas mas principalmente devido ao excesso de nutrientes que são arrastados.

Segundo muitos especialistas, a densidade fitoplanctónica tem vindo a aumentar nas lagoas verificando-se uma maior predominância de cianobactérias que é mais elevada na Lagoa Verde.

A eutrofização ocorrida nestas lagoas pode ser observada pelo aparecimento de espumas superficiais, diminuição da transparência das águas, desenvolvimento excessivo de algas, cianobactérias e de plantas macrófitas flutuantes ou enraizadas e também pelo enriquecimento de elementos nutritivos. Apesar da água proveniente destas lagoas não serem utilizadas para consumo humano, a sua utilização em fins recreativos poderá originar vários e graves problemas de saúde.

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Lagoa das Sete Cidades – Açores

Tipos de eutrofização

A eutrofização pode ser:

  • Eutrofização natural:  deve-se á variação das condições ambientais como, por exemplo, o transporte de sedimentos. É um processo lento, na ordem das centenas ou milhares de anos.
  • Eutrofização cultural ou acelerada: resulta de um progressivo enriquecimento em nutrientes das massas de água devido às actividades antrópicas.

Quando um lago apresenta alta concentração de nutrientes e grande produtividade primária classifica-se como lago eutrófico, ao passo que massas de água com baixa concentração de nutrientes e consequente baixa produtividade primária denominam-se lagos oligotróficos.

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Eutrofização natural e cultural

Eutrofização

A eutrofização consiste na modificação das propriedades de uma massa de água, em resultado do enriquecimento em nutrientes, principalmente nitratos e fosfatos, que promovem um grande desenvolvimento de organismos fotoautotróficos, como algas verdes e cianobactérias. Estes organismos multiplicam-se rapidamente, formando uma espessa cortina verde à superfície da água, a qual impede a penetração da luz até às zonas profundas.

A utilização de determinados produtos, como detergentes e fertilizantes industriais ricos em azoto e fósforo, intensificam os processos de eutrofização.

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Exemplo de eutrofização